Quando escrevi a série de poesias "A CASA" me inspirei incialmente em uma família com três filhos: o primogênito (mais velho), o do meio e o mais novo (caçula). Não por acaso, no ano anterior, havia pintado uma tela chamada "Ciranda" que ilustrava exatamente uma família assim. A poesia FILHO ÚNICO veio no final.
Tripudia
Contesta
Sem hesitar
Apronta
Sem medo.
Encantador,
Leve,
Cantarola a música da escola
Desenha a família, o pai grande a mãe menor e ele pequenino, no meio, de mãos dadas.
Inconseqüente, sobe no banco, na mesa, na janela, no muro
“Menino, larga disso, pode se machucar”
Com aquela banguela característica da idade,
ele sorri, com a boca, os olhos, o corpo.
No joelho aquele curativo caindo,
Deixando exposto o resquício daquele último tombo na casa da avó.
E sai correndo para a próxima travessura
Pega a vassoura, faz um foguete
Ou voa no tapete mágico
E logo depois pousa no colo da mãe
Cansado
Está na hora de repousar
Corado, suado, machucado,
Ele dorme sem pensar
No que virá
Se amanhã chove, ou faz sol, nada vai mudar.
Joga seu corpo leve na água fria
Sem medo do resfriado
Sem saber a profundidade
Sem medir a força da correnteza
Simplesmente vai
Sorrindo, machucado,
Pequeno, infantil, alegre,
Protegido.
Crescido,
Empreendedor da vida,
Da natureza, assume os riscos
Porque não os conhece
Está sempre feliz
Porque se esquece
Das contas para pagar
Alguém sempre velará por ele.